Volume 1, Número 2
Justificação – Católica versus Protestante



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Justificação – Católica versus Protestante




Há alguns séculos o mundo religioso viu-se envolvido no maior conflito religioso que o mundo já presenciou. Uma tremenda quantidade de literatura ´têm registrado passo a passo a épica luta Católico-Protestante. Não obstante, depois de passados 400 anos os professos filhos da Reforma, em geral conhecem muito pouco no que concerne aos verdadeiros pontos do conflito. Se voce perguntar a um protestante o que ensina a Igreja Católica com respeito a justificação, não seria estranho responder que os católicos creem que o pecador pode ser justificado por meio de suas próprias obras meritórias. Porém veja o leitor o que ensina um autorizado Catecismo Católico:

“P. O que é justificação?
R. E a graça que nos faz amigos de Deus.

“P. Pode um pecador merecer esta graça justificadora?
R. Não pode. Porque todas as boas obras que faz o pecador enquanto está em estado de pecado mortal são obras mortas que não ´têm mérito suficiente para justificá-lo.

“P. É artigo da fé católica que o pecador, em pecado mortal, não pode merecer a graça da justificação?
R. Sim. Decreta-se no sétimo capítulo da sexta edição do Concilio de Trento que nem a fé nem boas obras que precedem a justificação podem merecer a graça da justificação.

“P. Como, então, se justifica o pecador?
R. Justifica-se gratuitamente pela pura misericórdia de Deus, não por virtude sua ou qualquer mérito humano, mas somente pelos méritos de Jesus Cristo, porque Jesus Cristo é o único mediador da redenção que unicamente por sua paixão e morte nos reconciliou com seu Pai.

“P. Por que, então, nos acusam os Protestantes de crer que o pecador pode merecer a remissão de seus pecados?
R. Sua ignorancia da doutrina católica é a causa de tudo isto; igual a muitas outras acusações falsas.” – Rev. Stephen Keenan, Doctrinal Catechism, págs. 138, 139.

Muitos protestantes estão notando que os católicos certamente ensinam uma doutrina de justificação por fé. Com surpresa estão dizendo: “Sempre pensamos que os católicos ensinassem que o pecador pode ser justificado por meio de suas próprias obras meritórias. Porém não ensinam isto. Trata-se de alguma propaganda protestante descaridosa quanto a doutrina católica. Pois ve-se que eles creem na graça salvadora de Deus igual a nós."
Não há dúvida que a Igreja Católica sempre tem ensinado que o pecador é justificado por uma graça que vem de Deus por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Qual foi, então, o pomo de discórdia doutrinária entre a Igreja Católica e a Reforma Protestante? Aqueles que foram enviados e comissionados por Deus para prosseguir a obra dos reformadores devem ter uma compreensão clara dos pontos que se debatem.


Dois Aspectos da Redenção

Há dois aspectos principais da redenção:

1. A obra de Cristo por nós.
1. A obra do Espírito Santo em nós.

A obra de Cristo por nós: A isto podemos chamar a obra de Deus em Cristo. A obra da redenção se fez sem nós, sem nossa ajuda. Jesus viveu uma vida perfeita por nós "...morreu por nossos pecados segundo as Escrituras." 1 Cor. 15:3. “...foi entregue por causa das nossas transgressoes e ressuscitou por causa da nossa justificação.” Rom. 4:25. “...entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas tendo obtido eterna redenção (por nós).” Heb. 9:12. Está "porém no mesmo Céu, para comparecer, agora, por nós diante de Deus.” Heb. 9:24.

A obra do Espírito em nós: A menos que o Espírito Santo opere no crente, o sacrifício de Jesus é ineficaz. O Espírito é que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo. O Espírito Santo leva a cabo em nós a obra da graça de Deus.
Estes dois aspectos da redenção estão simbolizados pelos dois mananciais de sangue e água que brotaram do lado traspassado de Jesus. Jesus oferece seu sangue por nós no santuário celestial. O Espírito, representado pela água, santifica o coração do crente em Jesus.
Até aqui todos os cristãos deverão estar de acordo, sejam católicos ou protestantes. Agora teremos que definir a grande divisão do caminho que separa as vias de pensamento entre católicos e protestantes.


O Conceito Católico de Justificação

Os católicos romanos não ensinam que o pecador pode ser justificado por meio de suas próprias obras meritórias. Em síntese, sua posição sobre a justificação é esta: a obra de Cristo por nós torna disponível o dom do Espírito Santo para os crentes (até aqui estão corretos). Os homens primeiramente devem receber uma infusão de justiça por meio do Espírito Santo. O Espírito tem que operar arrependimento e caridade no crente. Logo, Deus declara o crente justo por causa da obra que o Espírito Santo fez nele.
Ou para expressá-lo de outra maneira: os católicos ensinam que o homem fica justificado diante de Deus unicamente quando o Espírito Santo lhe outorga uma natureza justa. Deus, ensinam eles, somente aprova a obra que o Espírito Santo efetuou no coração do crente.


O Nascimento do Protestantismo

Os reformadores foram levados a abandonar a idéia de que a obra do Espírito Santo neles pudesse faze-los justos a vista de Deus. Aqueles foram homens que experimentaram o poder do pecado em suas vidas como poucos ´têm experimentado. Conheceram o que é lutar para obter santidade de coração. Nunca houve católicos romanos mais fervorosos do que Lutero, Calvino, Farel, Melanchton e Tyndale. Criam eles que a santidade procedia unicamente de Deus e trataram de obter suficiente santidade em suas vidas para fazerem-se aceitáveis diante de Deus.
Porém, sendo homens honestos, nunca encontravam suficiente graça de Deus em suas experiencias que lhes desse alguma confiança para com Ele. Na verdade, ao olharem no profundo de seus pobres corações viam manifestado egoísmo e dureza para com o amor de Deus. Perderam a esperança de ser justificados em virtude da obra de graça de Deus neles.
Então foram iluminados pela fé evangélica. Redescobriram a doutrina de Paulo da justificação pela fé. No livro de Romanos o apóstolo apresenta a verdade evangélica de que o pecador não é justificado por uma justiça infusa, mas, sim, por uma justiça imputada – querendo dizer, uma justiça que se encontra inteiramente em outro. O crente não é justificado em virtude do que Deus efetuou nele mas sim em virtude do que Deus efetuou em Jesus Cristo.

"Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem. Porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente por sua graça mediante a redenção que há em Cristo Jesus; a quem Deus propôs no seu sangue como propiciação mediante a fé para manifestar a sua justiça por ter Deus na sua tolerancia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde, pois há jactancia? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não, pelo contrário, pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé independentemente das obras da lei." Rom. 3:21-28.

"Ora, ao que trabalha o salário não é considerado como favor e sim como dívida. Mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça; E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça independentemente de obras: bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas e cujos pecados são cobertos: Bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado. Vem, pois, esta bem-aventurança exclusivamente sobre os circuncisos ou também sobre os incircuncisos? Visto que dizemos: A fé foi imputada a Abrão para justiça; Como, pois, lhe foí atribuída? Estando ele já circuncidado ou ainda incircunciso? Não no regime da circuncisão, e sim quando incircunciso. E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser pai de todos os que creem embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça." Rom. 4:4-11.

Nessas palavras do apóstolo Paulo os reformadores acharam um fundamento certo de esperança. Viram que os homens não ´têm que buscar dentro de sua experiencia para achar algo que lhes assegure a justificação diante de Deus. Os reformadores se viram confortados com a grande verdade evangélica de que Deus já lhes havia perdoado e aceitado em Jesus Cristo, que a justificação havia passado a toda a raça humana no dom de Cristo e que Deus havia estendido sua mão fazendo a família humana amiga e filha de Deus em Jesus Cristo. (Rom. 5:10,18).

E pela fé na obra perfeita de Deus, somente por fé na obra de Deus já consumada em Jesus Cristo, podiam agora receber e regozijar-se da justiça de Jesus que lhes era imputada gratuitamente a tudo aquele que crê.


As Boas Obras e o Mérito Justificador

Nunca devemos acusar os Católicos de ensinarem que o pecador, em seu estado não regenerado, possa fazer alguma boa obra que tenha méritoaos olhos de Deus. Porém, ensinam que ´têm mérito nas boas obras efetuadas na vida por meio do poder do Espírito Santo. Notemos:

“P. Concluímos, então, que o pecador não pode por suas boas obras obter a graça da justificação?
R. O pecador pode obter a graça da justificação pelas boas obras que procedem de um coração quebrantado e penitente pois estas são predisposições ou condições necessárias, porém nenhuma obra própria pode MERECER a graça da justificação.

“P. Que é que dá valor as boas obras?
R. A graça santificante que está em nós.

“P. É nossa esta graça santificante ou é de Deus?
R. E a pura dádiva da liberalidade de Deus para conosco.

“P. Como se expressa São Paulo quanto a isto (Rom. 5:5)?
R. "O amor de Deus", disse ele, "tem sido derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo que nos é dado".

“P. Quais são os efeitos da graça santificante?
R. Faz-nos amigos e fllhos de Deus.” – Rev. Stephen Keenan, Doctrinal Catechism, págs. 139, 144, 145.





Os reformadores protestantes rechaçaram inteiramente a idéia de que há mérito justificador nas obras, mesmo no caso de serem as obras efetuadas pelo poder do Espírito Santo. Ainda que a posição católica fosse coberta com aparencia de santidade, Martinho Lutero pôde discernir que era a mentalidade do mistério da iniqüidade. Em tese, a doutrina católica ensina os homens a confiarem na obra de Deus neles. Na prática, leva-os a dependerem realmente de suas próprias obras. Armado com o grande ensino quanto a pecaminosidade da natureza humana, Lutero pôde mostrar que as boas obras do melhor dos santos estão contaminadas pela pecaminosidade e imperfeição da natureza humana (Ecl. 7:20 veja também Sal. 51:5, 58:3, Gen. 6:5, Efé. 2:1-3). As boas obras só poderiam ser consideradas como boas, declararam os reformadores, se os méritos de Jesus lhes fossem imputados para cobrir sua deficiencia e im perfeição.
Escreveu Lutero: "Ninguém pode estar seguro de que não está continuamente cometendo pecado mortal por causa do secreto vício do orgulho." O Papa condenou esta declaração na bula que excomungou Lutero, porém o reformador respondeu: "Tenho que refazer este artigo e agora digo que ninguém deve duvidar de que todas as nossas boas obras são pecados mortais se julgadas segundo o juízo e a severidade de Deus e não são aceitas como boas se não pela graça.” Declarou outra vez: "Toda boa obra é pecado a menos que seja perdoada pela misericórdia de Deus.” – citado em The Theology of Martín Luther, pág. 149.
Em seu comentário sobre Gálatas Lutero diz com ousadia que os méritos de todas as obras "antes e depois da graça merecem ser lançadas ao inferno." Assim, ensinou esse homem de Deus que nunca podemos olhar dentro de nós em busca de algum mérito justificador. Os protestantes ensinavam contrariamente a doutrina católica que enquanto a graça santificadora no crente o habilita a fazer boas obras, somente os méritos de Cristo podem torná-las aceitáveis a Deus. A graça santificadora não nos faz amigos de Deus, diziam, uma vez que ela é fruto de já termos sido feitos filhos de Deus por fé na obra de Cristo, consumada completamente fora de nós.


A Liberdade e a Certeza do Evangelho

Antes de ter sido iluminado, Lutero buscou em vão encontrar dentro de seu próprio coração suficiente arrependimento ou conversão que assegurasse sua aceitação para com Deus.

"Como me atreveria a crer no favor de Deus enquanto nada há em mim que se assemelhe a conversão verdadeira? Terei que ser convertido antes que Ele me possa receber.” Tal era a obscuridade romana que envolvia sua alma. Estremecia com terror diante das escrituras que falavam do arrependimento. Porém, depois de ter sido iluminado pelo Evangelho, as passagens antes tão temíveis chegaram a ser seu gozo. Usando suas próprias palavras; “Uma diversão agradável e mais grato recreio.” Todas as passagens da Escritura que lhe haviam espantado, agora pareciam estar levantando-se de todos os lados, sorrindo, brincando e divertindo-se com ele.” – J. H. D'Aubigne, History of the Reformation of the Sixteenth Century, tomo 1, págs. 130-131.

Com grande gozo Lutero contemplou as palavras de Paulo “(Cristo) me amou e a si mesmo se entregou por mim.” Gál. 2:20. Percebeu que enquanto era um pecador desgraçado em um estado de rebelião contra Deus, o Senhor da glória lhe perdoou gratuitamente em Jesus Cristo concedendo-lhe todos os tesouros da eternidade. Viu que lhe era possível obter a declaração de justificação somente ao crer no que Jesus Cristo havia feito por ele.
O Concilio de Trento decretou que Deus unicamente justifica os que são renascidos. Porém o Protestantismo se firmou nas grandes declarações do apóstolo Paulo:

“...porém crê naquele que justifica ao ímpio ...” Rom. 4:5.

“...Deus atribui justiça independentemente de obras.” Rom. 4:6.

“...a fé foi imputada a Abraão para justiça ...não no regime da circuncisão, e sim quando incircunciso.” Rom. 4:9, 10.

“Ora, tendo a Escritura predito que Deus justificaría pela fé os gentios ...” Gál. 3:8.

Deus justifica os ímpios, os incircuncisos e os gentios por meio da fé sem obra. Esta doutrina é ofensiva aos cristãos professos que consideram a si mesmos como bons e puros. Mas pará os reformadores que haviam lutado por anos para obter o favor de Deus por meio das obras do Espírito Santo neles, foi uma mensagem de gozo inexprimível. Deus livremente ama e perdoa o mais vil pecador, e o livra da condenação somente porque tem fé na maravilhosa obra de Deus em Jesus Cristo.
Cristo veio para salvar os pecadores (Mat. 9:3; 1 Tim. 1:15) e porque sou pecador, tenho o direito de ir a Cristo. Não há melhores notícias debaixo do Céu do que estas! Nesta palavra de verdade posso ter certeza, liberdade e intrepidez, pelas quais posso crer na obra da graça de Deus por mim em Jesus Cristo. A mensagem do evangelho é de que Deus ama os pecadores, e enquanto estavam em pecado e rebelião Ele fez disponivel a todos os homens o livre dom da justificação (Rom. 5:18). Em seu propósito, de amor que Ele determinou cumprir em Jesus Cristo, nosso Senhor já tem aceitado e perdoado a toda a raça humana. A grande questão a ser decidida não é: Deus me perdoará e me aceitará? Ele já o fez em Jesus Cristo. Se Deus nos pôde reconciliar consigo mesmo enquanto éramos inimigos (Rom. 5:10) quanto mais nos amará, nos receberá e nos declarará justos quando aceitamos por fé seu máximo domo A grande questão para ser decidida é: “aceitarei a adoção de Deus como Seu filho mediante Jesus Cristo?”
No Evangelho de justiça imputada de Cristo os reformadores viram o rosto sorridente do Pai Celestial. Deus não enviou Seu filho ao mundo para condenar o mundo e sim para conferir Sua benção de amorável favor sobre os filhos dos homens. O Evangelho constitui as Boas Novas do que Deus fez. Em Jesus Cristo o mundo foi aceito como parte da família celestial.
Os protestantes não negaram a verdade nem a necessidade da obra da graça de Deus nos corações dos homens por meio do poder do Espírito Santo. Nem menosprezaram as boas obras, e sim puseram a verdade em sua ordem correta. Perceberam que fé na obra de Cristo por nós traz o Espírito Santo para operar em nós. Aceitaram com gozo a grande verdade evangélica de que Deus justifica, livremente, apenas sobre a base sólida da obra de Cristo por nós. Esta bendita verdade da justificação pela fé produziu tal reação de amor e gratidão no coração deles para com Deus que as janelas de suas almas se abriram para o céu e experimentaram o poder renovador e santificador do Espírito de Deus em suas vidas. O arrependimento e as boas obras que antes haviam tentado fabricar por seus próprios miseráveis corações, agora brotavam espontaneamente. Toda a Europa foi sacudida por um poderoso exército de evangélicos em marcha. Pela sua pregação de justificação pela fé o poder papal recebeu uma ferida mortal.






O Movimento Carismatico é Católico ou Protestante?

o Foro Australiano*



Presidente, Sr. João Slade

O moderno movimento pentecostal apareceu no início deste século nos Estados Unidos. Em 1900 um jovem ministro metodista, Carlos Parham, uniu-se com quarenta outras pessoas em Kansas para procurar o batismo pentecostal do Espírito. Depois de vários dias de persistência na busca da benção, um por um foi visitado com uma irresistível experiencia que se tornou conhecida como “batismo do Espírito.” Falar em línguas marcou su as experiências. O ministério de Parham foi assistido com poder desde aquele tempo. W. J. Seymour levouo para Califórnia e manifestações características dos primeiros encontros pentecostais surgiram simultaneamente em diferentes comunidades religiosas.
Nos anos que se seguiram os Pentecostais não foram aceitos pelas igrejas estabelecidas. A despeito da oposição, entretanto, eles continuaram a crescer até atingirem cerca de oito milhões de membros em 1960.
Desde 1960 tem havido um notável crescimento no movimento pentecostal. Na aquela década as barreiras denominacionais que ´têm mantido o pentecostalismo separado das igrejas foram derribadas. O que o pentecostalismo chama “batismo do Espírito” tornou-se popular entre milhares nas igrejas protestantes conservadoras e também na Igreja Católica. Com grande entusiasmo os principais patrocinadores da experiencia dizem que o Espírito Santo está derrubando as barreiras denominacionais.

*0 Fórum Australiano para a Restauração do Cristianismo do Novo Testamento compoe-se de eruditos, pastores e professores de diversas denominações que se uniram na Austrália para debater os grandes temas da atualidade religiosa no ámbito mundial.
As sessões do F6rum efetuados anteriormente marcaram apenas o começo de um esforço para trazer à consideração da comunidade evangélica estes pensamentos que agora damos a publicação na revista Pregoeiro da Justiça.

Homens de talento, dinheiro e influencia estão se unindo as fileiras daqueles que ´têm recebido o “Batismo.” Grupos interdenominacionais tais como “The Full Gospel Business Men's Fellowship International” são muito ativos em divulgar o que está sendo hoje chamado de “a terceira força” ou “o terceiro braço” na cristandade. Comentaristas religiosos também começam a reconhecer o movimento carismático como a terceira grande força no mundo cristão.
O atual e profundo interesse no movimento pentecostal levar-nos-ia a seguir o conselho do apóstolo João aos cristãos: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas ´têm saído pelo mundo afora” 1 João 4:1. Nós somos desafiados, portanto, a examinar a base e a natureza deste movimento e medi-lo pela Palavra de Deus.





Há duas correntes de pensamento no cristianismo – Católica e Protestante. A qual destas correntes o pentecostalismo pertence? Quais foram os grandes temas da Reforma Protestante? O pentecostalismo afirma ou nega os princípios do Protestantismo?
Nosso primeiro locutor desta noite é Roberto Brinsmead que discutirá o papel da graça na redenção.


Roberto Brinsmead

O Novo Testamento apresenta dois aspectos da atividade redentora de Deus:

Número 1 – Obra de Deus por nós em Cristo.
Número 2 – Obra de Deus em nós pelo Espírito Santo.


Número 1 – A obra de Deus por nós em Cristo, é o Evangelho. E a declaração do que Deus tem feito em Seu Filho pela família humana. Como Paulo declara: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo...” 2 Col. 5:19. Ele tomanos em seu favor na pessoa de seu amado Filho. Pois em Cristo nosso livramento está assegurado e os nossos pecados estão perdoados (Efé. 1:6, 7).
A obra de Deus por nós em Cristo pode também ser chamada a obra de Cristo. “Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras” 1 Cor. 15:3. Ele “foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.” Rom. 4:25. É importante notar que o Evangelho é o registro do que Deus fez. Não é o registro do que Deus tem feito em nós; nem o registro do que Deus fará em nós. O Evangelho é o registro do que Deus fez fora de nós. Ele o fez no Senhor Jesus Cristo. Enquanto éramos pecadores, quando éramos seus inimigos, enquanto nos desviávamos dele mais e mais Deus fez alguma coisa por nós em Cristo (veja Rom. 5:6-10).
Em Romanos 5, Paulo apresenta o contraste entre Adão e Cristo. Através da desobediencia de Adão toda a raça humana se tornou pecaminosa a vista de Deus. Quando o diabo conquistou Adão, conquistou toda a família humana. Deus redimiu a raça humana dando-nos um outro chefe, um novo pai para permanecer como cabeça da raça humana (Isa. 9:6). E em Cristo Deus redimiu a família humana. Ele comprou-nos com o precioso sangue de Cristo. Em Cristo Ele colocou os nossos pecados sobre a cruz. Em Cristo ele nos deu uma perfeita justiça (Rom. 5:18, 19). Assim o evangelho é o registro do que Deus fez, não em nós, mas fora de nós, em seu Filho Jesus Cristo, enquanto éramos inimigos.
Agora voltemos a nossa atenção para o segundo aspecto da atividade de Deus – Obra de Deus em nós pelo Espírito Santo. A relação entre o número 1 e o número 2, precisa ser claramente entendida. Número 1 é o evangelho. Número 2 é o fruto de crer no evangelho. Confundi-los é a verdadeira essencia do pensamento romano; não ver conexão entre eles é a essencia do pensamento antinominiano. Fé na obra de Deus por nós (Fé no número 1) traz o Espírito a nós. A Escritura é clara que fé no que Deus fez por nós em Cristo traz o Espírito Santo ao crente a fim de que ele possa estar cheio e batizado no Espírito (Veja Gál. 3:14; João 7:37, 38).
A relação que existe entre o Número 1 e o Número 2 é muito importante. A verdadeira experiência cristã encontra sua alegria, plenitude e satisfação no Número 1. Isto porque o Número 1 é uma obra infinita. A obra de Deus por nós em Cristo é uma obra completa. Nossa aceitação com Deus é baseada sobre ela. Nossa correta posição com Deus é baseada sobre o que Deus tem feito por nós em Cristo. É a experiência de Cristo que tem mérito, não a nossa. Isaías 53:11 declara: “...o meu servo, o justo, com o seu conhecimento justificará a muitos ...” A palavra conhecimento aqui significa experiência. Isto vale dizer “por suas feridas, por seu sofrimento, por seu viver santo, por sua morte expiatória e sua triunfante ressureição, o meu servo, o Justo, justificará a muitos”.
A verdadeira experiência cristã encontra sua alegria em alguma coisa externa a si – a experiência de Jesus. Deus misericordiosamente tomou nossa história e imputou isto a seu Filho; e toma da história da vida infinita de Jesus e nos imputa isto através da fé.
As palavras de Jesus em Lucas 10:17-20 são muito significativas. Elas registram como os discípulos retornaram a Cristo com grande satisfação após a bem sucedida missão: curar, pregar e expulsar demonios. Jesus disse-lhes: “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano. Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem e, sim, porque os vossos nomes estão anotados nos céus.” Que maravilhosa instrução nós encontramos aqui! Jesus estava dizendo a seus discípulos que não colocassem sua alegria, cumprimento e satisfação no que Deus tinha realizado neles, mas Ele disse: alegrai-vos antes no que tem sido feito por vós. Através de meu mérito, vosso nome foi escrito no céu. Nós não devemos procurar encontrar nosso cumprimento, nossa satisfação e nossa alegria no Número 2 – a obra interior. Amor não olha para si pois amor não procura o seu próprio interesse (1 Cor. 13:5). Olhar para nosso interior procurando cumprimento e satisfação leva-nos ao maior orgulho – o orgulho da graça. Fazer da própria experiencia o centro de seu interesse é a verdadeira negação do evangelho. E a pior forma de perversão espiritual.





Eu quero usar uma ilustração que possa mostrar a relação entre a obra de Cristo por nós e a obra de Cristo em nós. Sem dúvida voce já tentou equilibrar uma vara (o orador começa a equilibrar uma vassoura na ponta do dedo). Não é difícil fazê-lo se um princípio simples é observado.
Qual é o segredo do equilíbrio desta vassoura sobre o meu dedo? Se o meu olho focaliza o tope eu posso equilibrá-la. Meu dedo embaixo vai movendo. Ele pode estar empenhado em considerável movimento, mas eu mal tenho consciencia disto. Agora se eu focalizo minha atenção no que o meu dedo está fazendo é impossível manter o equilíbrio da vassoura. Assim nós precisamos olhar para Jesus, autor e consumador de nossa fé. E por encontrar nossa satisfação nele e por contemplar o que ele tem feito por nós e o que ele é para nós que mantemos uma experiência cristã cheia de sucesso. Mas se sua obra em nós torna-se o centro de nosso interesse nós afundaremos tão rapidamente quanto Pedro quando desviou seus olhos do Senhor Jesus Cristo.
Isto é o que aconteceu na igreja primitiva. A história da queda é a mais fascinante. A igreja primitiva perdeu a grande unidade da justificação pela fé; assim ela tornou-se mais e mais envolvida com o aspecto subjetivo da fé. A obra de Deus em Cristo tornou-se subordinada a obra de Deus no homem. Justificação foi subordinada a santificação. Finalmente a igreja medieval ensinou que ao invés do crente ser aceito a vista de Deus sobre a base do que Cristo tem feito, um homem era aceitável a Deus por virtude do que o Espírito Santo tinha realizado em sua vida. Assim os homens olhavam para si mesmos e para suas experiências para serem aceitos à vista de Deus.
O grande tema da luta religiosa no século 16 foi este: O homem é justificado a vista de Deus pelo que a graça faz nele ou pelo que a graça fez em Cristo? De um lado permaneceu a igreja medieval; de outro lado permaneceu a Reforma. Pelo menos ambas as linhas de pensamento clamavam alguma coisa em comum. Os teólogos ensinaram que o homem era justificado, isto é, aceito a vista de Deus, pela obra de Deus de graça. Os Reformadores também ensinavam que um homem era justificado ou aceito por Deus pela obra da Deus de graça. Assim o ensinamento de ambas as correntes era o mesmo. Mas qual era a diferença essencial entre o ensino medieval e o da Reforma? A igreja medieval estabeleceu suas premissas que um homem é justificado ou aceito a vista de Deus pela obra da graça de Deus nele, em sua vida. Em contraste, os Reformadores estabeleceram o grande princípio apostólico de que um homem é justificado pela obra da graça de Deus não em sua experiência, mas em Cristo.
Uma corrente de ensino é centralizada no homem; a outra é centralizada em Cristo. Uma é subjetiva, a outra é objetiva. Uma olha para o interior; outra olha para o exterior. Quando nós analisamos todas as religioes do mundo encontramos uma coisa em comum – a experiencia do homem é o centro de seu interesse. O evangelho de Cristo somente é diferente. Ele atrai para fora e para cima.
Nesta luz formulamos estas perguntas: Em que corrente de pensamento está o Pentecostalismo? Em que corrente de pensamento a enfase da atual Revolução de Jesus? E qual é o centro do interesse de seu pensamento religioso?


O Presidente

Outro importante aspecto que distingue os dois grandes ramos de ensinamento na Reforma é a questão – o cristão nascido de novo é um pecador ou um santo? Sr. Geoffrey Paxton, qual é a natureza do Cristão?


Sr. Geoffrey Paxton

Obrigado Sr. Presidente. E minha responsabilidade esboçar nos próximos poucos minutos a diferença básica entre o conceito Católico Romano de cristão e o conceito dos Reformadores do século 16.
Antes de mais nada, no século 16 a igreja de Roma cria que o homem era aceitável diante de Deus por causa de uma justiça inerente. Vale dizer, a aceitação do homem diante de Deus era sobre a base de uma justiça dentro do homem – uma justiça inerente e intrínseca dentro do crente. Esta é a primeira diferença. Em contraste com isto os Reformadores ensinaram que o homem é aceito diante de Deus, não na base de uma justiça inerente e intrínseca no crente, mas antes sobre a base de uma justiça que está fora do crente, separada do crente – a saber, a justiça que está no céu em Jesus Cristo diante do trono de Deus. E repito, esta é a primeira grande diferença – aceitação por virtude de uma justiça dentro do crente versus a aceitação por virtude de uma justiça fora do crente, em Cristo.
O segundo princípio importante com relação ao cristão é este: No Concílio de Trento (o mais famoso Concílio Católico Romano do século 16) há cinco causas mencionadas pela Igreja Católica para a aceitação do homem com Deus. Um homem é aceito por Deus, diz a Igreja Católica Romana, sobre uma base quíntupla. Por exemplo, a causa instrumental é dito ser o batismo. Batismo é o instrumento pelo qual um homem é aceito por Deus. Mas é interessante ver o contexto que a Igreja Católica Romana deu a morte ou a paixão de Jesus Cristo. Enumerou ela a paixão de Cristo entre aquelas cinco causas – a saber, a causa meritória da aceitação do homem diante de Deus. O crente é aceito por causa de uma justiça intrínseca, diz Roma; e esta justiça inerente toma lugar por causa da morte de Cristo. Vale dizer, por causa da morte de Cristo o homem é capaz de receber a justiça através do batismo.
Naturalmente os reformadores ficaram horrorizados com isto. Eles estavam horrorizados de que a morte de Cristo nada mais fosse na relação da aceitação do homem para com Deus do que uma causa meritória. Roma dizia: Porque Jesus morreu o batismo poderia se verificar e justiça ser infundida no homem. Ora, isto é monstruoso! declararam os reformadores. E aqui está a segunda diferença básica. A morte de Cristo não faz a salvação possível no sentido de que prove a base para uma justiça intrínseca; mas a morte de Cristo, disseram os reformadores, é aquilo pelo que o homem é aceito. Isto significa que a morte de Cristo não é uma causa meritória, mas é a nossa salvação. Jesus é nosso Salvador por natureza do que Ele é e por natureza do que Ele fez. Assim, a segunda diferença é o lugar da morte de Jesus.
O terceiro grande contraste entre a igreja romana e os reformadores é este: A igreja romana ensinava que o batismo era um evento no qual e através do qual justiça era infundida ou derramada no crente. E isto era capaz de acorrer porque Cristo abriu a porta, por assim dizer, com sua morte. Mas do batismo para a frente era responsabilidade do crente garantir o que o mantivesse em aceitação diante de Deus. Se ele caísse através de um erro moral ou mesmo através de um erro intelectual, ele tinha que fazer bom uso dos meios de graça que Deus tinha provido a fim de voltar ao favor de Deus. Em outras palavras, a terceira grande diferença é esta: A Igreja Católica Romana presupõe a inerente habilidade do homem manter a sua própria salvação e fazer boas obras que ´têm mérito na aceitação de Deus. Os Reformadores disseram: não é assim! Deus concedeu-nos uma habilidade, disseram os Reformadores, mas esta habilidade é sempre trabalhar e viver com um objeto da graça divina. Nunca é a habilidade que nos capacita a realizar boas obras que fará Deus feliz conosco e portanto continuando a dar-nos a salvação ou renovando-a. Não, nenhum homem é interiormente hábil de realizar boas obras que fazem Deus feliz, disseram os Reformadores. A boa obra que tem sido realizada por nós, e qualquer obra que Deus realiza em nós e através de nós é resultado da boa obra feita por nós. Qualquer coisa que o homem faz ele sempre faz como objeto da graça divina e não como uma realização que efetua o favor divino. Portanto existe um quarto ponto de diferença.
Implícito no ensinamento Católico Romano está a doutrina do perfeccionismo. Se um homem é capaz de prosseguir por causa do bom começo que Deus lhe deu, se ele é capaz de manter sua salvação e fazer coisas que fazem Deus feliz, isto pressupõe que enquanto o homem faz isto e Deus é feito feliz nada há neste homem que faça Deus infeliz. Este homem é perfeito. E isto está implícito no ensino romano. Por outro lado os Reformadores disseram, não! não! O cristão não é perfeito. Ele é ainda um pecador por natureza. Ele era pecador na conversão e ele reterá aquela natureza corrupta até que morra. Lutero tinha esta frase famosa: “Ão mesmo tempo reto e pecador, ao mesmo tempo justo e injusto, ao mesmo tempo salvo e perdido.”


Sumariamos estes 4 pontos de diferença.

1. Uma justiça no homem; uma justiça fora do homem.

2. A morte de Cristo fazendo possível a salvação sobre a base de uma justiça interna. A morte de Cristo sendo a nossa salvação.

3. A inerente habilidade do homem de fazer boas obras que farão Deus feliz; nenhuma habilidade de fazer boa obra meritória.

4. Perfeccionista; não perfeito mas pecador – um pecador na conversão, um pecador na morte. Lutero disse: “Eu necessitarei do meu Salvador no dia de minha morte tanto como no dia da minha conversão.”

Esbocei brevemente quatro áreas que creio dar-nos uma base para examinar a enfase pentecostal moderna. O Sr. Brinsmead já falou acerca da enfase da obra em nós. Eu quero perguntar: o pentecostalismo chama atenção para a obra fora de nós ou coloca sua enfase na obra em nós?
A segunda pergunta que eu desejo façer é esta: Como o pentecostalismo ve a morte de Cristo? E a morte çe Cristo que faz possível o derradeiro batismo do Espírito? E a morte que tem efetuado a plenitude fundamental do crente em Cristo? ou esta plenitude tem sido efetuada pelo homem na base do que Cristo fez?
A terceira pergunta que desejo fazer é esta: O pentecostalismo pressupõe que o crente é capaz de fazer boas obras meritórias que farão Deus responder com a plenitude do Espírito ou qualquer outra benção?
E a quarta pergunta que desejo formular é: Pode o pentecostalismo falar sobre plenitude total, entrega, total abandono, sem implicar em perfeccionismo?
A Igreja Católica Romana repudiou o conceito de que Rom. 7:14-25 refere-se ao crente. Oh, não, Roma dizia, isto não se refere ao crente. Isto se refere ao homem não regenerado. Por outro lado, os reformadores, sem exceção, disseram, não! Romanos 7:14-25 descreve a real tensão dentro do crente. Agora onde está o pentecostalismo concernente a estas passagens: Isto nos traz ao ponto que eu mencionei por último, a saber, perfeccionismo. O perfeccionismo está implícito no pentecostalismo? O perfeccionismo está implícito na pregação das igrejas estabelecidas? E em consideração ao movimento Revolução de Jesus e aqueles jovens que ´têm procurado abandonar a estrutura cultural da sociedade de nossa igreja, não poderia ser uma das coisas que os marginalizam e agravam, a inerente hipocrisia, a inerente auto-justiça e o inerente perfeccionismo de muitas de nossas igrejas estabelecidas?


O Presidente

Muito obrigado, Sr. Paxton. Qual é a verdadeira função do Espírito Santo na vida do crente? João Brinsmead, pode o senhor responder esta pergunta para nós?


João Brinsmead


Em Romanos 1:16, 17 o Apóstolo Paulo declara: "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho de fé em fé, como está escrito: o justo viverá por fé.” No quarto capítulo do mesmo livro o Apóstolo diz-nos que esta justiça provida por nós em Cristo é uma justiça imputada.
Qual é a relação da obra do Espírito com este dom da justiça? Jesus disse: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade... Ele me glorificará. João 16:13, 14. O grande objetivo da terceira pessoa da Divindade é magnificar aquela incompreensível e infinita justiça do próprio Deus revelada a família humana e em favor dela em Jesus Cristo. A obra do Espírito é para glorificar a perfeita obediencia de Jesus, seus méritos imaculados, sua vida impecável. Cristo foi levantado na cruz – uma exibição da justiça de Deus. A obra do Espírito é para mostrar isto ao homem. Pois sem o Espírito nós estamos mortos em pecados; nossos olhos são cegos e não podem ver. Por nossa própria natureza nós não podemos entender as claras coisas da Palavra de Deus. Assim o Espírito opera através da pregação do evangelho. E obra do Espírito é criar fé – fé salvadora nos méritos de Cristo. O Espírito indica aos pecadores a grande cobertura da justiça de Cristo e ensina-lhes a correr para debaixo deste refúgio do Altíssimo. A criação da fé não é nossa obra. Fé não é um mero assentimento-mental ou crença intelectual. E convicção e persuasão do Espírito de que quando Jesus foi pregado na cruz, Ele foi colocado ali no meu e no seu lugar. Fé é saber com segurança que Ele “me amou e a si mesmo se entregou por mim.” Gál. 2:20. O Espírito criará fé no coração de todo aquele que não endurecer seu coração através da descrença.
Oh! A expiação de Jesus é uma magnificente coisa! Ela tem abrangido toda a raça humana. As cordas do amor divino ´têm enlaçado a todos nós – ricos e pobres, grandes e pequenos. Ninguém tem sido deixado de fora. Cristo ligou-se a humanidade por um laço de amor que nunca pode ser quebrado por nenhum poder, exceto pela escolha do próprio homem.
A vida crista começa pela fé; ela finalizará pela fé. É fé do início ao fim. Esta fé é contada por justiça (Rom. 4:5). Isto é o que a Bíblia chama “justiça pela fé.” Deus deu-nos Seu Filho. O Filho deu-nos sua vida reta. O Espírito dá-nos fé! Assim a salvação é uma ação salvadora da Trindade.
É a obra do Espírito Santo que nos faz Cristocentricos e não Espíritocentricos. O Espírito não vem testificar de si mesmo. Jesus disse: “Quando vier porém o Espírito da verdade ...não falará por si mesmo” João 16:13. Ele nunca dá testemunho de si mesmo. A vida de Jesus de Nazaré foi uma revelação não de si, mas do Pai da glória. Assim a outra pessoa da Divindad e somente vem para revelar Jesus, para fazer-nos conscientes do que Ele fez por nós e o que Ele é para nós. O Espírito inspira fé em Cristo, o divino remédio para o pecado. O Espírito faz-nos inteiramente dependentes daquela justiça que está fora de nós, a saber, aquela justiça que está na pessoa de Cristo que permanece a mão direita por nós.
Muito menos o Espírito nos faz conscientes de nossa experiência. Quando Moisés desceu do Monte Sinai, sua face resplandecia com a glória de Deus. Todavia o registro diz que ele estava inconsciente disto.
O livro de Atos registra como o Espírito foi derramado quando Jesus foi exaltado (Veja capítulo 2, 10 e 19) quando a morte e ressureição de Cristo foram pregados. O Espírito glorificou a Jesus. Ele não veio ao homem após um sermão sobre o Espírito Santo. O Espírito foi manifestado em poder quando Jesus, o salvador do mundo, foi exaltado.
Outra tarefa do Espírito é ensinar ao crente a Palavra de Deus. A palavra revela Jesus – Seus infinitos méritos e justiça. A palavra somente é o supremo juiz de toda experiência e de toda doutrina. No Protestantismo a Palavra de Deus é a única infalível regra de conduta e doutrina religiosa. Mas na outra corrente de pensamento nós temos a dependência sobre milagres, missões, sacramentos – sobre alguma coisa a parte e fora da Palavra. O moderno movimento carismático também procura evidencia audiovisual da obra do Espírito.
Outra grande obra do Espírito Santo é escrever a lei de Deus no coração e mente de seu povo. Então o povo de Deus produz fruto para Ele (Heb. 8:10; Rom. 7:4) não para que sejam aceitos por Deus, mas porque eles ´têm aceitado sua aceitação cm Jesus Cristo.
Finalmente, nós precisamos sempre relembrar que nosso direito ao céu não é baseado sobre o que o Espírito Santo faz em nós, mas sobre o que Deus tem feito fora de nós em Cristo. Nosso título ao céu é fundamentado sobre o que a plenitude do Espírito Santo tem feito por todos nós em Jesus. João 3:34 diz: “Pois o enviado de Deus fala as palavras dele porque Deus não dá o Espírito por medida.” Em Cristo foi manifestada toda a plenitude da divindade corporalmente (Col. 2:9) Ele era a completa revelação da justiça de Deus. Isto é o nosso único título e direito de estar com Ele onde Ele está e contemplar sua glória. Toda religião que não é de origem divina ensina ao homem, inicial ou finalmente, a olhar dentro de suas experiencias por uma posição com Deus – procurar algum grande milagre, alguma mudança, algum fruto.
Há basicamente somente duas correntes de ensino religioso: Protestante e Católico. Toda humanidade é dividida aqui. Não vem ao caso que credo nós esposamos. Estamos nos apontando, glorificando e regozijando no que Deus fez através do seu Espírito no homem Jesus? É este o nosso vital testemunho para o mundo? Ou nós descemos ao reino do subjetivismo, glorificando e testificando daquilo que nós imaginamos que o Espírito Santo está fazendo em nós?


O Presidente

Obrigado Sr. João Brinsmead. Agora, amigos, permita-nos ajuntar as coisas. Nós temos analisado as duas correntes de pensamento esta noite sobre as tres maiores áreas do ensino do Novo Testamento. Dr. Zwemer, onde o moderno movimento carismático se coloca em relação a elas?


Dr. Jack Zwemer

Nesta noite nós temos procurado estabelecer tres pontos fundamentais relacionados com os dois únicos sistemas de pensamento que existem. Um sistema é a ética da Reforma Protestante; o outro é o sistema da igreja medieval que abrangerá, como será mostrado, todas as outras formas religiosas. Os tres pontos apresentados esta noite são estes:

1. O pensamento da Reforma declara que a aceitação do homem diante de Deus depende da absoluta e infinita justiça do substituto do homem, seu representante – Jesus Cristo homem, que permanece na presença de Deus por nós. Esta é a base protestante da aceitação. Pois Jesus, o homem, unicamente é agradável ao Pai. O outro sistema de pensamento religioso declara que Deus fica agradecido e satisfeito com uma justiça inerente e adquirida, uma bondade emprestada ao homem. Assim, os Reformadores olharam fora deles mesmos por uma justiça que habita no seu substituto diante do trono de Deus, enquanto que o outro sistema olha para baixo, para o homem e dentro deste a fim de encontrar evidência de alguma coisa que possa ser agradável a Deus.

2. O segundo ponto desta noite liga-se à natureza do cristão. O Protestante sempre considera a si mesmo um pecador “maldito, miserável, pobre, cego e nu.” Tal como o apóstolo Paulo, no fim de sua vida disse: “Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”, assim o cristão, no pensamento da Reforma, é ,considerado como um pecador. Ele livremente admite isto. A medida que ele progride na senda crista torna-se cada vez mais consciente do fato de que é um pecador. Isto naturalmente o impele a olhar para fora e para cima onde sua justiça está.
Por outro lado o teólogo medieval olhava para dentro de si mesmo e considerava a si mesmo, não como pecador, mas como santo. Isto ele livremente admitia e tornava-se cada vez mais inconsciente de qualquer pecaminosidade inerente em si. E assim nós temos a segunda grande divisão no cristianismo.

3. O terceiro ponto é concernente ao Espírito e sua obra. O pensamento da Reforma declara que o Espírito Santo é dado livremente para que o homem veja sua completa falencia moral e espiritual e fuja de si mesmo para Jesus em quem habita justiça e infinita bondade. Para estes os frutos do Espírito são abundantemente dados – fé, esperança, caridade e toda boa obra. Quando eles vêem ao juizo final, perguntam: “Quando fizemos isto? Quando fizemos aquilo?” Eles estão inconscientes do que têm feito. Estão conscientes somente de sua completa pecaminosidade e a infinita justiça de seu substituto.
Por outro lado o sistema de pensamento medieval ve no dom do Espírito um benefício derivado do esforço sobrehumano que conduz a um objetivo experimental de êxtase, e uma confiança dentro de si. É Espírito-consciente, auto-consciente oposto a Cristo-consciente.
Estes três pontos dividem o mundo religioso em dois campos incompatíveis e antagônicos.
Assim nós falamos aos nossos queridos amigos e vizinhos que são pentecostais, quer pertençam ao movimento Revolução de Jesus, ou qualquer outro sistema centralizado na experiência do homem. Muitos de vocês tal vez tenham reconhecido a mornidão e a carencia espiritual nas igrejas tradicionais e ´têm procurado realização em alguns desses outros movimentos que não estão estabelecidos sobre os grandes fundamentos doutrinários da Reforma Protestante e o evangelho tão plenamente revelados ao apóstolo Paulo.
Agora nós leremos alguns comentários na literatura concernente a isto. Um dos líderes do movimento pentecostal, Donald Gee, declara que a atração central do movimento pentecostal consiste “essencialmente de uma experiência espiritual individual e poderosa.” – The Pentecostal Movement, pág. 30. Um outro autêntico líder do movimento carismático, Edward O'Connor, declara:

“Assim as configurações essenciais do movimento do ponto de vista teológico parecem assentar-se sobre uma fé viva e convincente no Espírito Santo, a experiência de sua ação poderosa e o reaparecimento de seus carismas.” – Edward O' Connor, The Pentecostal Movement in the Catholic Church.


Passemos das citações dos próprios pentecostais para os Protestantes sobre o pensamento pentecostal. Eu cito Frederick Brunner que se express a resumidamente como segue:

“A experiência Pentecostal é por isso distinta precisamente por sua enfase sobre a experiência. Em outras palavras a teologia do Movimento Pentecostal é sua experiência e, em outra maneira de dizer, sua teologia é pneumatologia.” – A Theology of the Holy Spirit, pág. 32.

Nós poderíamos continuar a ler, mas passemos para as opiniões feitas pelos observadores católicos sobre o movimento carismático. Nós lemos o seguinte:

“Ainda que eles procedam de cenário protestante, as igrejas pentecostais não são tipicamente protestante em suas crenças, atitudes ou práticas.” – O'Connor, obra citada, pág. 23.
“Do ponto de vista da Igreja Católica não se pode afirmar que o movimento Pentecostal representa uma incursão de influencia Protestante”. – Idem., pág. 23.

“Católicos que ´têm aceitado a espiritualidade Pentecostal ´têm achado estar em plena harmonia com sua fé tradicional e eles experimentam o pentecostalismo não como um empréstimo de uma religião estranha, mas como um desenvolvimento natural da sua própria.” – Idem., pág. 28.

“...A experiencia espiritual daqueles que ´têm sido tocados pela graça do Espírito Santo no Movimento Pentecostal está em profunda harmonia com a teologia espiritual clássica da igreja.” – Idem., pág. 183.

“...a experiência do movimento pentecostal tende a confirmar a validade e a importancia de nossas autenticas tradições espirituais.” – Idem., pág. 191.

“Além do mais, a doutrina que se está desenvolvendo nas igrejas pentecostais hoje parece estar passando através de estágios muito similares aqueles que ocorreram no princípio da Idade Média quando a doutrina clássica estava se formando. – Idem., pág. 193.

Finalmente, dois outros autores católicos escrevem mais significativamente:

“A Cruz e o Punhal é a narrativa da vida e aventuras espirituais de David Wilkerson... O livro falou do poderoso Espírito como um motivo e poder motor de nossas vidas cristas. Ela é uma doutrina bem veIha, ela é bem tradicional, ela é bem católica...” – Kevin e Dorothy Ranaghan, Catholic Pentecostals, págs. 9, 10.