Volume 1, Número 1
O Batismo do Espírito Santo



>>Editorial: O Cristo da história e o Cristo da experiência

>>O Batismo do Espírito Santo

>>O Tesouro Divino –

Editorial: O Cristo da história e o Cristo da experiência

Ão lermos as notícias quanto a Revolução de Jesús, (a religião pentecostal dos cabeludos hippies) e a rápida disseminação do movimento carismático em geral, tem-se a impressão de que o mundo "está voltando a Jesús". A característica mais surpreendente deste desenrrolar é o testemunho daqueles que estão experimentando a Jesús em suas vidas. Eles pregam o Cristo de sua experiência. Para eles Jesús parece real – tão real que podem dar testemunho d'Ele através de experiências em suas próprias vidas. O Cristo da experiência, portanto, tem chegado a ser o grande ponto da evangelização da Revolução de Jesús. Muitos afirmam que este Jesús é real e tangível, enquanto que o Cristo da história é remoto e impessoal, uma vez que é irreal.


Comparativamente, muitos da Revolução de Jesús tem exaltado o Cristo da experiência, a tal ponto que poem o Cristo da história mui definidamente em último lugar. Porém ão fazerem isto, estão em grave perigo de colocar o cristianismo em último lugar. Antes de sermos confundidos por alguma experiência religiosa mística ou sentimental, consideremos que o cristianismo é a única religião verdadeiramente histórica. Anuncia que a salvação está baseada sobre acontecimentos históricos objetivos – acontecimentos que estão inteiramente fora da experiência pessoal do homem. Enquanto que a religião da experiência baseia sua "salvação" na própria experiência mística do devoto. Portanto a "salvação" chega a ser um assunto de façanha própria e pessoal. Por exemplo: o engano de uma experiência subjetiva. Não importa que o aderente a religião sustente que a salvação seja pela graça pois esta graça é constituida em uma experiência. Logo, para estar seguro da salvação, o crente tem que observar a sua própria experiência – uma coisa mui incerta e inquietante em seus melhores fins. O Cristo da experiência não é tão real depois de tudo. De facto, pode desaparecer na neblina dos sentimentos e impressões humanas, e o adorador pode facilmente abandonar-se ão ídolo estéril de sua própria experiência mística.
O evangelho é boas novas, porque é segurança e certeza. Proclama acontecimentos históricos e objetivos (1 Cor. 15:14). A salvação nos tem chegado através de acontecimentos concretos da história: – a encarnação, vida, morte e ressureição de Cristo. Cristo venceu. Tem assegurado a salvação para os homens pobres, perdidos e pecadores. Por Sua experiência em provar a morte por todo homem, tem justificado a todo aquele que crer (Isa. 53:11; Heb. 2:9). Sua experiência (uma realidade histórica) é que é de suprema importancia. Isto deve ser o foco do pensamento cristão, sua fé e testemunho. A fé deve descançar em algo inteiramente fora da experiência do homem, isto é, no Cristo histórico.
Por certo, o Cristo da história vive, porque houve uma ressureição. Enquanto os homens poem sua fé no que Ele tem feito por eles, e o que Ele é para eles, vive em seus corações. A experiência do Cristo interior procede da fé no Cristo exterior. Paulo pode dizer, "Cristo vive cm mim," simplesmente porque podia acrescentar: "Vivo na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Gál. 2:20.
Deus é conhecido somente mediante o Cristo crucificado. A cruz é a revelação de Deus. Qualquer intento de conhecer a Deus ou experimentá-Lo fora da cruz é idolatria. A única maneira de provar a validez de um "Cristo da experiência" é perguntando: "Foi esta experiência religiosa ganha pela revelação da cruz, ou é algo sem relação ão Cristo histórico do evangelho histórico?"



O Batismo do Espírito Santo
os editores


Que é o batismo do Espírito Santo? Quais são as condi ções para recebê-Lo? Como se comunica? Qual é a evidência de sua recepção? Estas são perguntas urgentes. Elas exigen uma resposta clara, especialmente dado a que o movimento “carismático” pentecostal está crescendo rapidamente dentro das igrejas cristãs.
O Apóstolo Paulo chama a atenção dos crentes perguntando-lhes: “Recebestes o Espírito Santo quando crestes?” Atos 19:2. Paulo considerava que o batismo do Espírito era imperativo. Ãos efésios escreveu: “Não vos embriagueis com vinho; no qual há dissolução; antes porém sede cheios do Espírito.” Efé. 5:18.

1. A condição para que o Espírito seja dado

O Evangelho do Novo Testamento toma a sério a lei de Deus. Nenhum homem pode ser aceito a vista de Deus (ou justificado), nem compartilhar da vida de seu Espírito, separado da absoluta e perfeita obediencia da lei de Deus. Notai:

“ ...os que praticam a lei hão de ser justificados.” Rom. 2:13.

“ ...o Espíritu Santo, que Deus deu aqueles que lhe obedecem.” Atos 5:32.


Se Deus concedesse seu Espírito sob qualquer outra condição que a obediência a sua lei, seria indultar o pecado e comprometer sua justiça. Acima de qualquer oútra coisa, a lei de Deus deve ser honrada, mantida e reverenciada.
Há duas maneiras mediante as quais o homem pode intentar reunir as condições de perfeita obediencia. Uma é por meio do legalismo, e a outra por meio do Evangelho. Entre estes dois métodos não há acordo. O homem pode tomar um caminho ou o outro. Não pode tomar ambos.
Se o homem pudesse obedecer a lei de Deus sem separar-se do ideal divino por um instante, ele então teria direito a reclamar de Deus a promessa de vida. “Efetivamente Moisés escreveu que o homem que puser em prática a justiça que vem da lei, por ela viverá.” Rom. 10:5.
Sem dúvida a recepeção do Espírito de Deus não é em nenhum sentido uma busca humana. Não é uma recompensa outorgada por uma vida santificada. A Bíblia é clara: “Porque todos pecaram (tempo passado) e destituidos (tempo presente) estão da glória de Deus.” Rom. 3:23. A condição humana é precisamente que nenhum filho de Adão tem praticado uma obediencia que merecesse o Espírito de Deus. É devido a natureza caída e pecaminosa do homem, que ninguém jamais será aceitável a Deus por seus méritos. “Por isso nenhuma carne será justificada diante d'Ele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.” Rom. 3:20.
Como então poderá o homem pecaminoso cumprir com as condições sobre as quais o Espírito de vida lhe será dado? Isto nos leva a considerar o caminho do Evangelho. Na pessoa de Jesús Cristo, Deus fez uma visita a este planeta. Tomou seu lugar como a nova Cabeça da humanidade. Se fez o Homem Representante, o Substituto por todo o homem. Se encarregou de obedecer a lei perfeitamente por nós. Apresentouse voluntariamente para morrer em nosso lugar e por Ele livrarnos da penalidade da desobediencia. Assim está escrito:


“...Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.... (quer dizer, debaixo da obrigação de satisfazer as exigencias da lei em nosso lugar).” Gál. 4:4.

“Jesús, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convem cumprir toda a justiça.” Mat. 3:15.

“...não vim abrogar (a lei), mas cumprir (todas as suas exigencias).” Mat. 5:17.

Quando Cristo, como Representante do Homem, cumpriu a lei, foi justamente como se todo homem houvesse cumprido a lei. Quando morreu para satisfazer plenamente a penalidade da lei contra o pecado, foi o mesmo como se todo pecador houvesse morrido e pago por seus pecados. Assim Paulo declara: “...julgamos nos assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram.” 2 Cor. 5:14.
A expiação de Cristo foi o cumprimento de toda condição para que Deus pudesse derramar seu Espírito sobre toda carne. Quando o Filho de Deus exclamou “Está consumado,” toda barreira que havia impedido a mais livre plenitude do dom do Espírito ão mais culpável da raça de Adão, foi então quebrantada. Recebemos o Espírito por intermédio da perfeita obediencia a lei de Deus – não por nossa obediencia, mas pela de Cristo. O Espírito Santo é dado, não por nossa capacidade de adquirí-Lo, senão devido a sua expiação. Sua obra e somente a sua, nos traz o Espírito. Esta é a mensagem de Paulo ãos gálatas:


“Todos aqueles pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maltido todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para faze-las. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro. Para que a benção de Abraão chegasse ãos gentios por Jesús Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito.” Gál. 3:10, 13, 14.

Resumo: A única condição indispensável para receber o Espírito é a perfeita obediencia a lei de Deus. Cristo cumpriu para todos essa condição. Portanto Cristo tem conferido a todos o dom do Espírito Santo.

2. O canal para a comunicação do Espírito

Na tradição católica romana, o poder e a vida divina são considerados como sendo comunicados a humanidade através dos sacramentos da igreja. Na tradição dos ramos pentecostais, se considera que o Espírito é comunicado por alguma experiência extática altamente poderosa. Porém segundo a igreja apostólica e a Reforma, o Espírito Santo é comunicado através da Palavra de Deus.



A Palavra de Deus é o instrumento do Espírito. O apóstolo Paulo disse: “...e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.” Efe. 6:17. “Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes e penetra até a divisão da alma e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” Heb. 4:12. Jesús disse: “...as palavras que eu vos disse são espírito e vida.” João 6:63.
A Palavra e o Espírito estão de acordo. E impossível separá-los. O que faz o Espírito, faz através do instrumento da Palavra de Deus:


“Sendo de novo gerados, ...pela palavra de Deus... “ 1 Ped. 1:23.

“Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.” João 15:3.

“...para a santificar, purificando-a (a igreja) com a lavagem da água, pela palavra.” Efe. 5:26.

“Como purificará o mancebo seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.” Sal. 119:9.

“ ...pela palavra dos teus lábios me guardei das veredas do destruidor.” Sal. 17:4.

“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” João 17:17.


A vida de Deus está em sua palavra. Foi mediante sua palavra que Deus criou esta terra e deu vida ão homem. Foi através de sua palavra que Jesús curou ãos enfermos, e expulsou os demonios e ressuscitou ãos mortos. “Sua palavra era com autoridade.” Ele disse: “sede limpos” e os leprosos foram limpos; “Levanta-te e anda” e o paralítico se levantou.
Devemos nos guardar da idéia de que o Espírito de Deus opera independentemente da Palavra, de que vem em alguma experiência a qual está fora da Palavra. Aqueles que insistem em sinais e milagres fora da Palavra são uma “geração má e adúltera.” De fato, estão preparados para os enganos satanicos, porque a Bíblia nos previne que especialmente nos últimos dias Satanás obrará “com grande poder e sinais e prodígios de mentira... para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem.” 2 Tess. 2:9, 10. E no dia do juizo muitos dirão: “Senhor, Senhor... em teu nome não fizemos muitas maravilhas?” Porém Cristo responderá: “Nunca vos conhecí.” Mar. 7:22, 23.
É sempre perigoso quando a gente quer algo independente da Palavra para criar emoção. Por esta avenida Satanás leva muitos a apartar-se da Palavra de Deus, para caprichos das impressões humanas, a impulsos, atos fanáticos, e finalmente a práticas contrárias a Palavra de Deus. Só existe segurança para nossos pés em manter-nos junto a palavra de Deus. É aquí a fonte de toda verdade e poder.

Resumo: A vida de Deus está em sua Palavra. Através de sua Palavra, Deus comunica seu Espírito ãos homens.

3. O método de receber o Espírito Santo

A parte que o homem é chamado a fazer no recebimento do Espírito é tão extranhamente clara e simples que ofende a natureza humana. Como temos visto, Cristo tem cumprido as condições para conceder o Espírito. A palavra de Deus no Evangelho de Cristo é o canal através do qual o Espírito é comunicado. Os homens recebem o Espírito simplesmente pelo ouvir da fé:

“O' insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesús Cristo foi já representado como crucificado? Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” Gál. 3:1, 2.

O Espírito vem ãos homens pela palavra do Evangelho. Paulo declarou: “...a palavra está junto de tí, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos.” Rom. 10:8.



O Espírito, portanto, não pode ser recebido por nenhum outro meio senão pelo ouvir da palavra. O ouvido é o órgão mais passivo da personalidade. Não pode criar nada, não emite nada, não ve nada, é completamente receptivo. Assim o homem não pode obter o Espírito; tem que ser dotado do Espírito. O pecador não pode se aproximar do Espírito; porém o Espírito se aproxima do pecador. Se o recebe pelo ouvir – o ouvir da fé. É recebido somente pela fé.
O livro de Atos nos proporciona uma ilustração prática de como o Espírito é recebido somente pelo ouvir da fé. A Pedro veio o chamado para ir a casa do centurião romano e pregar o Evangelho a um grupo de gentíos. O apóstolo falou a respeito de Cristo e declarou: “...que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome.” Atos 10:43. E o registro imediato diz: “E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra.” versículo 44. Não houve exceções, todos os que ouviram a palavra receberam o Espírito.
Isto é igualmente certo agora. A palavra vem a nós dizendo: “Filho, perdoados estão os teus pecados.” Mar. 2:5. “...para filhos de adoção por Jesús Cristo, ...pelo qual nos fêz agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas de sua graça.” Efe. 1:5-7. O Espírito do Todo Poderoso está presente nesta palavra para criar fé. Se nós recebemos esta palavra, nós recebemos o Espírito, porque todavia é certo que o Espírito cai sobre todo aquele que ouve a palavra, não como a palavra de mero homem (como em Atos 8:12-16), “segundo é, na verdade, como a palavra de Deus.” 1 Tess. 2:13.
Ãonde quer que a palavra do Evangelho seja pregada, pode dizer-se: “Porque nosso Evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo.” 1 Tess. 1:5. Não é só comunicado pela fé. “Porque a justiça de Deus manifesta-se n'Ele pela fé e (aperfeiçoa-se) na fé, como está escrito: O justo viverá da fé.” Rom. 1:17. “Portanto da maneira que haveis recebido o Senhor Jesús Cristo, andai n'Ele.” Col. 2:6. Qualquer operação subsequente do Espírito na vida vem da mesma maneira como na recepção inicial.
Resumo: O Espírito Santo vem ãos homens através da palavra de Deus. Qualquer que ouça (receba e creia) o Evangelho, recebe o Espírito Santo.

4. A evidência do recebimento do Espírito

A palavra de Deus nos diz claramente como saber se havemos recebido o Espírito de Deus. Não nos diz que devemos observar algum sinal audiovisual. Recordamos as palavras de Jesús: “Uma geração má e adúltera pede um sinal.” Mat. 12:39. A evidência inicial do Espírito é fé – simples, não ruidosa, ou sensacionalista, mas fé evangélica.
Quando os crentes corintios foram possuidos da idéia de que as demonstrações espirituais de extase eram de maior valor, Paulo lhes mostrou a supremacia da fé: “Ninguém pode dizer que Jesús é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.” 1 Cor. 12:3 (versão de João Ferreira de Almeida). Como vemos, os exercícios espirituais demonstrativos não são necessáriamente uma evidência de que o Espírito está atuando (“Irmãos, não sejais meninos no entendimento.” 1 Cor. 14:20), porém a evidência do poder do Espírito, é que um homem caído e pecaminoso venha a confessar sua fé em Jesús como o Senhor e Salvador de sua vida.
Que alguém que estava em rebelião contra Deus, possa agora exclamar, “Abba (querido) Pai,” é a evidência primordial do poder e da presença do Espírito.


“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Abba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espirito que somos filhos de Deus.” Rom. 8:15, 16.

Juntamente com a fé, a esperança é também a evidência do dom do Espírito. Disse o apóstolo: “Porque nós pelo espírito da fé aguardamos a esperança da justiça.” Gál. 5:5. “E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Porque em esperança somos salvos. Ora a esperança que se ve não é esperança; porque o que alguém ve como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciencia o esperamos.” Rom. 8:23-25.
A fé fita assim um passado vitorioso (a obra de Cristo por nós na cruz) e ão presente (a intercessão de Cristo por nós a destra de Deus). A esperança fita assim o glorioso futuro da segunda vinda de Cristo – “Sendo pois justificados pela fé,.. nos gloriamos na esperança da glória de Deus.” Rom. 5:1, 2.
Esperança na vinda de Jesús em glória é evidência da presença do Espírito. Assim como o Espírito dá fé para aceitar a Cristo como nossa justiça, assim também o Espírito inspira esperança na consumação da vida ao glorioso retorno de Jesús Cristo.



“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesús Cristo.” Tito 2:13.

O dom do Espírito de Deus nesta vida é chamado, “as primícias do Espírito.” Rom. 8:23. Em Efésios 1:14 é chamado “penhor da nossa herança” (versão João Ferreira de Almeida). Este é um ponto muito importante: Nossa experiência nesta vida sempre é incompleta. A vida não é cumprida dentro do processo histórico. Nós nunca poderemos encontrar satisfação dentro de nossa própria experiência espiritual, porque sua melhor parte é somente o penhor, ou o (crédito) pago inicial, do que Deus tem em depósito para nós. O Espírito nos inspira para que gemamos, esperamos, desejamos, e prossigamos até a esperança de receber uma recepção do Espírito impossível nesta vida mortal. Mas além desta presente e débil existencia nos aguarda “um peso eterno de glória mui excelente.” 2 Cor. 4:17. Assim ão andarmos pela fé (2 Cor. 5:7), sabendo que ainda somos imperfeitos e incompletos, Cristo é a nossa plenitude (Col. 2:10). Desta maneira nossa consolação sempre está n'Ele e nunca em nossa própria experiência.



A terceira evidência do Espírito é o amor. O amor (no idioma grego agapé) não é uma experiência extática nem emocional. Não é “uma sensação estranha no estomago.” É um sagrado princípio de vida (em que) Deus e o nosso próximo, em vez de nós mesmos, chegam a ser o objeto de nossa preocupação.
Uma preocupação absorvente por seu próprio gozo e experiência espiritual não é amor, porque o amor “não busca os seus interesses.” 1 Cor. 13:5. Encontrar satisfação em sentimentos de extases espirituais, comprova a distancia da obra do Espírito e de que Ele não está operando.
O amor se manifesta especialmente na paciencia e no domínio de si mesmo, em fazer o bem ãos outros. Porém, acima de tudo, não é absorvido pelo experimentalismo (ou culto da experiência) – a lasciva traz uma alvoraçante experiência. O experimentalismo é uma forma de legalismo – a mais sutil forma de legalismo. Porém o Evangelho recebido e crido permite Deus ser Deus e o homem ser homem. Deixa Deus ser Deus por quanto estabelece a salvação somente na experiência de Cristo (Isa. 53:12), e portanto, atribui a salvação a obra de Deus somente. Quando o homem é livre de fazer alguma obra ou de ter alguma experiência sobre a qual baseia sua salvação, fica liberto dos interesses egoistas e começa a preocupar-se com seu próximo. Assim, o Evangelho permite que os homens sejam homens. Aqueles que aceitam o Evangelho de sua salvação em Cristo, fazem de seu próximo o objeto de suas obras. Eles trabalham para fazer que todos os homens vejam algo do “misterio da fé.”
Suponhamos que,
os cristãos experimentem o egoismo de sua natureza pecaminosa tratando sempre de viver um meio termo. Ver-se-á tentado a viver por si mesmo e a fazer de si o ponto central da misericórdia e do amor de Deus. Mesmo que ele sinta o pecado dentro de si não é evidência de não ter o Espírito. Porém o fato de que luta contra a carne e não anda conforme ela é a mais segura evidência de que está pelejando a boa batalha da fé mediante a força do poder do Espírito. O amor não se mede pela posse de sentimentos alegres, senão por uma disposta conformidade ãos mandamentos de Deus – com ou sem sentimentos.



Resumo: A evidência da posse do Espírito Santo é fé, esperança e amor. Do ponto de vista humano elas não são as graças mais espetaculares. Mas do ponto de vista espiritual, do céu é o milagre supremo da graça divina. 5. O sinal do batismo do Espírito

O batismo é o sinal do batismo do Espírito. No livro de Atos vemos que o dom do Espírito foi associado com o batismo:

“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesús Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.” Atos 2:38.

“E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fieis que eram da circuncisão, todos quanto tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar linguas, e magnificar a Deus. Respondeu então Pedro: Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo? Atos 10:44-48.

“Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ão povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesús Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesús. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam linguas e profetizavam.” Atos 19:4-6.


O batismo de água e em Cristo não são uma iniciação deficiente que necessita ser suplementada por outro batismo posterior. Jesús falou da entrada dos homens ão reino de graça como um batismo “de água e do Espírito.” João 3:5. E mandou os seus (discípulos) que batizassem ãos homens “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” Mar. 28:19. Portanto, o batismo inicial é o batismo do Espírito Santo tanto como o é o batismo de Cristo. Tão pouco é outorgado limitadamente o Espírito no início da vida crista. Disse o apóstolo:

“Não pelas obras da justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misercórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente Ele derramou sobre nós por Jesús Cristo nosso Salvador.” Tito 3:5, 6.

A igreja de Deus não é como os grandes navios de passageiros nos quais existem setores para passageiros de primeira e segunda classe. A igreja é verdadeiramente a única sociedade sem classes no mundo. A uma comunidade de crentes dos quais estavam em perigo de fazer distinção tais como “cristãos ordinários,” e “cristãos cheios do Espírito,” Paulo declarou: “... todos nós fomos batizados em um Espírito formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres e todos temas bebido de um Espírito.” 1 Cor. 12:13. Outra vez disse: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamadas em uma só esperança da vossa vocacão; um só Senhor, uma só fé, um só batismo.” Efé. 4:4, 5.
Não há portanto, cristãos ordinários e cristãos cheios do Espírito. Ou o homem é cristão cheio do Espírito, ou não é um cristão (Rom. 8:9). Deus não dá a uns poucos indivíduos uma experiência diferente da que dá ão corpo. Há um batismo cristão – e este é o batismo de água e do Espírito Santo. Há somente um Evangelho; e este e um Evangelho completo. A Deidade é indivisivelmente una. O batismo do Espírito não é uma experiência mais elevada que o batismo de Cristo.
Ainda que o rito do batismo é em si mesmo o sinal da recepção do Espírito, não é uma garantia do Espírito. O sinal não deve ser confundido com a evidência. Muitos há que creem salvar-se ão entrar na igreja terrenal tomando este sinal; porém o livro de registro celestial nem sempre corresponde com o livro de registro terrenal. Tomar um sinal separado da evidência é hipocrisia e blasfemia.
Quando dissemos que o verdadeiro início da vida crista é o batismo de água e do Espírito, não negamos que o Espírito possa vir outras vezes subsequentemente a renovar a fé; para dar poder especial para certas ocasiões, ou para comunicar dons especiais para o progresso da missão do Evangelho. Deus não está abrigado, e o Espírito pode revelá-Lo como Ele disponha. Assim como no início da era crista, o poderoso derramamento do Espírito em Pentecostes dotou de poder ãos crentes para o serviço, assim se nos ensina na Bíblia que a era do Evangelho encerrará com não menos poder antes da vinda de Senhor. Isto é o que os antigos profetas chamaram de “chuva seródia,” e o tempo de seu derramamento está próximo.
O profeta nos exorta; “Pedí ão Senhor chuva no tempo da chuva seródia.” Zac. 10:1. Estaremos seguros em fazer isto se percebermos que a obra do Espírito é fazermos conscientes de Cristo em lugar de fazermos conscientes do Espírito: Cristocentrico, em lugar de centralizados na experiência. O Espírito não fala de si mesmo (João 16:13). Nós não conhecemos seu nome. Sua única missão é glorificar a Jesús e fazernos mais e mais sensíveis da nossa própria pecaminosidade e dependencia de uma justiça que está fora e acima de nós.
A obra do Espírito em nós não é o fim e Cristo somente um meio para alcançar a esse fim. Ao contrário, Cristo é o fim, e o Espírito é o meio para alcança-Lo. A experiência crista, ainda que esteja cheia do Espírito, não nos assegura o favor de Deus. A santificação do Espírito não faz que o crente alcance um gráu mais alto, ou que ultrapasse a supremacia da justificação. Verdadeiramente, bem diz-se: “Santificação é tomar a justificação a sério,” e o Espírito nos é outorgado para esse propósito.

Resumo: O batismo é o sinal do batismo do Espírito. A Deidade é indivisível em sua obra. Todos os membros da igreja gozam de um batismo do Espírito. A continuação da obra do Espírito não nos leva a outra experiência, porém nos reforça e nos estabelece mais firmemente na verdade da justificação pela graça mediante a fé.

6. A plenitude do dom do Espírito

Enquanto estamos nesta vida somente possuiremos as primícias do Espírito, porém no sentido Evangélico possuimos uma plenitude do Espírito que jamais se pode transcender ou sobrepujar-se. Esta é a mensagem do livro de Colossenses. Os cristãos em Colossos estavam perturbados por um grupo que falavam de uma “vida mais espiritual” os quais não estavam contentes em viver a vida comum do cristão, isto é, de fé e de esperança. (O problema todavia está com a igreja. A natureza humana não quer suportar seu sentido de debilidade, e saberse finitos.) Assim alguns dos colossenses promulgavam a descoberta de uma plenitude do Espírito que os elevaria a tal estase espiritual que sobrepujariam seus pobres e simples irmãos terrenais.
Desta maneira este grupo santificacionista buscava uma plenitude do Espírito que transcendesse a um “mero” gozo de Cristo e uma “mera” justificação pela fé. Certamente, dado a que suas aspirações iam além da simples fórmula de “somente pela fé,” começaram a praticar e impor regras e fórmulas de sua própria invensão. (Isto todavia se ve em livros modernos que se especializam no subjetivismo – Segredo para uma experiência cristã vitoriosa – 10 passos que o demonstram, ou Preparaçoo para o batismo do Espírito – 7 condições para recebe-Lo. )
O apóstolo Paulo demonstrou ãos colossenses, que este programa de fazer da aquisição de uma mais elevada experiência espiritual o centro de seu interesse era legalismo. Sua resposta a este grupo de “santificados” foi uma magnifica exaltação da pessoa de Cristo e a absoluta centralização da fé da igreja n'Ele. A palavra chave de Paulo é plenitude. Fazendo frente ãos hereges em seu terreno próprio, ele demonstrou a igreja ãonde existe somente aquela plenitude – em Jesús Cristo e jamais em outro. “Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse.” “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” Col. 1:19; 2:9.
Como nosso Substituto, Cristo não somente rendeu a Deus todo o que nós o devíamos em perfeita obediencia; como homem em nosso lugar, recebeu de Deus tudo o que Deus tinha para dar-nos e desejava dar-nos-ainda toda a plenitude de sua própria vida. Em Cristo, a humanidade tem recebido a totalidade da vida de Deus. Nele temos possuido toda a plenitude de Deus. Nunca poderá haver outro caminho senão nEle porque nenhum outro senão este Deus-Homem pode conter toda a plenitude acumulada da eternidade. A fé não vacila ante o dom que Deus nos tem dado em Cristo, sem confessar que Deus nos tem dado tudo, e na simples fé cristã o cristão possui tudo. Por isso diz Paulo: “E estai perfeitos (possuidos de uma plenitude) nEle.” Col. 2:10, Versão João Ferreira de Almeida.
Neste sentido o crente Não pode ter nada mais que quando aceita a Cristo como Senhor e Salvador de sua vida. Ele vive, “como nada tendo,” e “possuindo tudo.” 2 Cor. 6:10. A fé abraça a Cristo e essa plenitude nEle; a esperança pacientemente aguarda a herança, sabendo que a vida não está realizada aquí e agora.

Resumo: Nesta vida nunca poderemos experimentar suficientemente o Espírito de Deus que seja para satisfazer a Deus ou a nos mesmos. Sem dúvida a humanidade de Cristo tem recebido toda a plenitude de Deus por nós. Nós a temos agora pela fé, e possui-la-emos por visível realidade na vinda de Cristo.



O Tesouro Divino

Joao Calvino*




Enquanto estamos no mundo nossa salvação repousa na esperança. Compreende-se que é conservada na presença de Deus, mui afastada de nossos sentidos.... A esperança é um bem futuro e no presente, jamais está unida a uma plena e evidente posse.... Mas agora porque a Deus haja parecido melhor guardar nossa salvação encerrando-a e apertando-a em seu seio, é proveitoso neste mundo lutarmos, sermos oprimidos, afligidos e gemermos até ficarmos como moribundos. Pois quantos quiseram ter aquí sua salvação visível fecharam a porta, renunciando a esperança que é sua guardia ordenada por Deus. – pág. 215.

E um testemunho maravilhoso e evidente de amor inestimável que o Pai nos haja dado a seu Filho, para nossa salvação, ...porque sendo Ele a joia do amor infinito de Deus dado a nós, não vem a nós desnudo ou vazio, senão cheio de todas os tesouros celestiais, para que aqueles que o possuam tenham nEle todo o necessário para uma completa felicidade. – pág. 224.

De modo que a fé não deve jamais olhar para nossa miserável e imperfeita debilidade, senão fixar-se absolutamente só na virtude de Deus, apoiando-se nela por completo; porque se ela se apoiasse sobre nossa justiça e dignidade jamais poderia elevar-se para considerar a potencia de Deus. E aí está a disputa, a prova da incredulidade... o medir com nossa medida o poder de Deus. – pág. 127.

Portànto, se a fé dispensa e suprime a glória das obras, de tal sorte que não pode ser pregada puramente se ão mesmo tempo não despoja ão homem de todo louvor, atribuindo-o todo à misericórdia de Deus, se deduz que não existe obra alguma que nos ajude para obter a justiça. – pág. 101.


*Parágrafos escolhidos e traduzidos de seu comentário da Epístola ãos Romanos, Publicações da Fuente, México, D. F., 1961.